Recomendações

Somos um grupo de mães e assessoras de babywearing querendo promover e incentivar o uso adequado dos porta-bebês ergonômicos no Brasil.

Entendemos por “uso adequado dos porta-bebês ergonômicos”:

1. O porta-bebê deve respeitar sempre a posição fisiológica: pernas em forma de M com os joelhos mais altos que o bumbum, bacia basculada para a frente mantendo a coluna arredondada em forma de C (principalmente em bebês que ainda não sentam sozinhos e, portanto, não tem total controle de coluna).

2. A ergonomia do ser humano permite carregar o bebê na posição fisiológica, tanto na frente; quanto no quadril ou nas costas (lembrando que a barriga do bebê deve sempre ficar virada para o corpo da pessoa que o carrega).

3. É importante um ajuste adequado do tecido, ponto a ponto da coluna nos casos de wraps, ring slings e similares, com especial atenção e cuidado quando o bebê ainda não tem controle total de coluna (ou antes que sente sozinho).

4. É o pano que se amolda ao corpo do bebê, e não o contrário, o bebê amoldado ao pano.

5. O porta-bebê precisa dar suporte adequado à idade e peso do bebê (atenção ao formato, largura e tipo de tecido usado).

6. O porta-bebê deve permitir que o peso do bebê recaia sempre no bumbum, em um assento profundo, tendo tecido suficiente para chegar detrás de um joelho até o outro, levantando-os.

7. Na posição ergonômica, os joelhos devem estar mais altos que o bumbum e a abertura de pernas do bebê jamais deve ser forçada, respeitando sempre a abertura natural de cada bebê (que irá variando de acordo com o seu crescimento)

8. Recomendamos sempre que os pés do bebê fiquem para fora do porta-bebê (salvo em exceções avaliadas por um profissional devidamente capacitado). Com os pés dentro do pano, as articulações de tornozelo, joelho e quadril sofrem a pressão do tecido de um lado, e do corpo do bebê apoiado no pano, do outro; isso que estimula o reflexo da marcha e deixa o bebê cansado e irritado por tentar vencer sempre aquele estimulo que estar recebendo constantemente. Além disso, com os pés fora do porta-bebê é possível observar se ambos os joelhos estão na mesma altura e se o quadril e a coluna estão devidamente alinhados. (Dificilmente veremos o alinhamento do quadril com os pés dentro do pano.)

9. Não é indicado carregar os bebês na horizontal, pois o pano pode empurrar a cabecinha do bebê para a frente fazendo com que o queixo encoste no seu próprio peito, e daí acarretar no fechamento das vias respiratórias, gerando apneias e até óbito. (Porta-bebês que só permitem essa posição não são ergonômicos.) Porta-bebês ergonômicos mal utilizados não são adequados e nem seguros.

10. Não recomendamos que os bebês sejam carregados de frente para o mundo. É impossível carregar o bebê virado para a frente e manter a posição fisiológica. Porta-bebês que permitem isso não são ergonômicos. Porta-bebês adequados utilizados desta forma, não são ergonômicos. Além de ser desconfortável e comprometer a postura correta e ergonômica do bebê, resulta desconfortável também para quem carrega, porque desloca o centro de gravidade e equilíbrio, obrigando-nos a curvar o corpo para compensar o deslocamento, e daí quem carrega pode sentir dores e desconfortos musculares devido ao uso incorreto do carregador. Além de que o bebê, virado para a frente, fica super estimulado, sem contato visual com o adulto que o carrega, sem aconchego, olho no olho ou um colo para repousar a cabecinha. Quando os bebês ficam mais curiosos e querem ver todo o mundo a volta, recomendamos carregar eles de forma fisiológica com amarrações de quadril (de lado) ou nas costas.

11. A ação de carregar deve ser confortável e segura. Devemos sentir nosso corpo, verificar e cuidar de possíveis dores e/ou desconfortos; devemos também colocar-nos no lugar do bebê quando carregado, verificando sempre a postura em que está colocado. Incentivamos todos a tirarem suas dúvidas, somos muitas assessoras aqui dispostas a ajudar.

12. Verifique sempre se o seu porta-bebê está em bom estado e se os materiais com que foram feitos são seguros: argolas sem emendas/soldaduras, e de material resistente, tecidos e costuras de qualidade, bases/painéis que permitam chegar à curvatura dos joelhos, tecidos confortáveis e não exageradamente finos, tinturas não tóxicas e bom estado em geral (sem furos, costuras soltas, desgastes, etc.).

– OPINIÕES DIFERENTES:

13. Acreditamos nesta forma de carregar como aquela que garante a saúde, a segurança e o conforto de bebês e adultos (quando são carregados e quando carregam), pois nos formamos e concordamos com os ensinamentos das escolas de babywearing mais conhecidas e respeitadas, honrando o carregar tradicional e nos apoiando na ciência para uma melhor compreensão desses benefícios, (assim como os grupos de apoio ao parto ou à amamentação o fazem). Acreditamos que informação sempre é poder.

14. O ser humano é um mamífero carregador, com esse instinto e essa necessidade, mas a industrialização e a configuração atual da sociedade fizeram com que a arte e a tradição de carregar se perdessem na nossa cultura. Nós, no Ocidente, não crescemos carregando irmãos mais novos, e nem vendo o carregar. Perdemos a referência, queremos e precisamos, portanto, retomá-la. Por isso, remetemo-nos às sociedades que mantiveram essa arte e à ciência que a apoia e estuda, com o intuito de garantir que seja praticada da forma mais segura, saudável e confortável possível. É nosso compromisso estudar e trazer toda essa informação, honrar as mulheres que sempre carregaram, e também aos muitos estudos que nos falam dos benefícios do contato e da importância de um bem carregar nas últimas décadas (movimento que ressurgiu na Alemanha dos anos 70), assim como vem acontecendo no movimento feminista de empoderamento da mulher no relativo ao parto e à amamentação. Preconizamos honrar a nossa natureza, com o apoio da ciência.

15. Portanto, criamos este grupo para ajudar, incentivar e informar sobre o que aqui entendemos por um babywearing de qualidade, de acordo também com a imensa maioria da comunidade internacional de babywearing. Isso é o que aqui será incentivado; (da mesma forma que outros grupos de apoio ao parto natural ou à criação com apego não admitem indicações falsas de cesárea ou incentivo de mamadeiras e/ou leite artificial sem necessidade).

16. Posts e comentários que contiverem orientações ou recomendações em desacordo com os pressupostos acima elencados serão passíveis de moderação. A moderação se reserva o direito de remover do grupo quem insistir, apesar de ter sido advertido, neste comportamento.

17. As administradoras deste grupo são: Ana Carolina Isiara , Camila Bentes Do Lago, Elena de Regoyos, Ivana da Silva, Jassy Brischi, Jenya Cheigina, Luciana Pacheco, Mariana Medeiros,Meri Pires, Natália Souza, Nathálie von Holleben, Ryvana Aragao, Susana Gonzalez, Talyta Morais, Tatiana Serra Dutra Gianeti e Taís Martins; todas nós Assessoras Bebê no Pano e/ou mães com experiência em carregar seus filhos. Por favor, entre em contato com qualquer uma de nós em caso de dúvida ou descumprimento das normas. O perfil da Moderadoras Bem Carregar é utilizado somente para postagens oficiais da administração, nele não serão aceitas solicitações de amizade e nem serão dadas respostas in box.

Bom debate e feliz babywearing!
Moderadoras do grupo